Monthly Archives: Dezembro 2010

O menino pequenino…

Padrão



Era uma vez um menino, que não queria ir à escola. Porquê? Perguntam vocês. Porque ele era pequenino. Tinha seis anos, mas era baixinho e magrinho. Todos os outros meninos eram maiores que ele.
– Mãe, dói-me a barriga! Não posso ir à escola – dizia ele à mãe.
– Tens de ir. Respondia a mãe –senão como é que vais aprender as letras, os números, todas aquelas coisas bonitas que se aprende na escola?!
– Tens de ir – voltava a dizer a mãe.
E o menino lá ia… contrariado, a arrastar os pés, como se os sapatos tivessem sola de chumbo e não fossem as sapatilhas novas, que a mãe lhe comprara, para estrear no primeiro dia de aulas.
Chegados à escola, ele parou e olhou para o recreio, onde muitos meninos e meninas, corriam, saltavam, gritavam, riam como se a sua única preocupação fosse mover-se e comunicar-se o mais rapidamente e o mais alto que podiam.
– um bom dia para ti, meu querido! Disse a mãe. Logo venho te buscar. Gosto muito de ti. Até logo! Deu-lhe um beijo e foi embora, trabalhar.
Ele entrou na escola, ainda cabisbaixo, tentando esquivar-se dos alunos do 4º ano, que pareciam torres, ao pé dele. Fintou um, fintou outro, até chegar à parede. Respirou fundo. Foi então que ouviu um barulho, muito baixinho. Parecia alguém a chorar. Estava com um bocadinho de medo, mas a curiosidade foi maior. E lá foi seguindo, junto à parede, até encontrar a dona daquele choro. Era uma menina, pequenina como ele. Ele nunca a tinha visto lá na escola.
– Olá – disse ele. Chamo-me João. E tu?
– Olá, eu sou a Júlia – respondeu a menina, ainda com os olhos vermelhos.
– Porque estás a chorar?
– É o meu primeiro dia nesta escola, os meus pais tiveram que mudar de emprego e tivemos que deixar a cidade onde vivíamos para vir para aqui. Mas eu não queria! Tive que deixar a minha escola, os meus amigos… e recomeçou a chorar.
– Não conheço nada nem ninguém aqui! E cada vez chorava mais.
O menino deu-lhe a mão.
-Anda comigo. Vou mostrar-te a escola e apresento-te os meus amigos. Vais ver que são fixes! Não tenhas medo! E até ele ficou surpreendido por lhe terem saído da boca tais palavras. Encheu-se de coragem e de mãos dadas, lá foram eles, pelo meio dos alunos do 4º ano, que afinal agora já não pareciam torres enormes, mas meninos como ele, apenas com mais alguns centímetros!
Olá! Esta é a Júlia. É uma aluna nova, disse ele aos colegas. Olá! Quantos anos tens? Em que turmas estás? Gostas de brincar às escondidas? E saltar à corda? Ao almoço, vai ser massa com carne, sabias?! E lá foram eles, conversando, rindo, todos ao mesmo tempo, a fazer barulho e a correr, como qualquer outro grupo, de qualquer outra escola.
E tu, como te sentes na tua escola???